Nem sempre é possível identificar imediatamente um edifício de terra. Por vezes, o conhecimento dos antecedentes históricos de determinada zonas permite-nos adivinhar a composição de paredes ocultadas por reboco e tinta. Noutros casos, onde as paredes esventradas revelam o testemunho da ausência de manutenção e/ou abandono, o material e técnicas de construção utilizadas podem ser facilmente reconhecidas. Se tal situação poderá em muito contribuir para identificar as técnicas de construção em terra utilizadas em diferentes áreas do país, infelizmente é também reveladora de descuido e desinteresse pelo património arquitectónico nacional, sobretudo no que diz respeito à arquitectura de carácter vernáculo.
O aparente desapego das tradições construtivas, que de resto em muito definem a essência do nosso povo e sua cultura, não se restringe ao uso do material terra. Tornou-se igualmente comum encontrar país fora ruínas de antigos edifícios erguidos maioritariamente em pedra.
Em qualquer dos casos, é uma visão profundamente triste assistir a esta morte lenta de paredes que tantas histórias teriam ainda para contar.
Perdoem-me portanto se as imagens que vos trago hoje são portadoras dessa tristeza. A verdade é que, infelizmente, constituem exemplos de uma realidade cada vez mais frequente em Portugal... Todas as fotografias foram captadas durante as duas semanas que passaram, aquando das minhas férias por Portugal.

Ruína perto de Fornalhas Velhas, Alentejo 
Edifício abandonado perto perto de Odemira, Alentejo
Parede de taipa em ruína perto de S. Teotónio, Alentejo
Edifício abandonado em S. Tiago do Cacém, Alentejo
Ruína no Entroncamento, Ribatejo

A beleza incomparável da alvenaria de pedra no norte de Portugal. Neste caso também edifícios deixados ao abandono