15/04/2009

Curso de Formação - Conservação e Recuperação de Taipa

Recebi hoje um email com a divulgação de mais um excelente curso de formação sobre conservação e recuperação de taipa organizado pela Associação Matriz, a realizar-se muito em breve pelos lados de Odemira.

Em baixo encontra-se o programa, tal como me foi enviado. (Obrigada Rui!)


AÇÃO DE FORMAÇÃO CONSERVAÇÃO E RECUPERAÇÃO DE TAIPA - Maio 2009 (*)

Duração da Ação: 35 horas

Formadores externos: Arqª. Maria Fernandes, Arq. Miguel Rocha, Engª. Maria Goretti – Formadora Residente: Arqª Susana Sequeira


PROGRAMA DE FORMAÇÃO:
  • 16 de Maio, Sábado Formadoras - Arqªs Maria Fernandes e Susana Sequeira
9:30/12:30 - Apresentação /Objetivos pedagógicos; Património arquitetónico do Alentejo
14:00/18:00 – Degradação – causas / patologias; Conservação – prevenção / reparação; observação de ruínas

  • 17 de Maio, Domingo Formadores Engª Maria Goreti Margalha / Arqªs Maria Fernandes e Susana Sequeira
9:30/12:30 – Argamassas de cal / análise do material / modos de preparação e aplicação
14:00/18:00 - Intervenção prática num edifício / planificação da intervenção / identificação da terra da construção

  • 22 de Maio, Sexta-feira Formadores – Arqs. Miguel Rocha e Susana Sequeira
9:30/12:30 – Intervenção prática num edifício / correção de diversas patologias superficiais
14:00/18:00 – Apresentação obra de recuperação / Intervenção prática sobre edifício / Reconstituição de zonas em ruína.

  • 23 de Maio, Sábado Formadores – Arqs. Miguel Rocha e Susana Sequeira
9:30/12:30 – Intervenção prática num edifício / correção de diversas patologias profundas
14:00/18:00 – Intervenção prática num edifício / reconstituição de zonas em ruína


  • 24 de Maio, Domingo Formadoras – Arqªs Maria Fernandes e Susana Sequeira
9:30/12:30 – Intervenção prática num edifício / rebocos de terra
14:00/18:00 – Finalização dos trabalhos. Sessão de encerramento / entrega de diplomas


(*) – Redigido segundo as novas regras do Acordo Ortográfico



Para mais informação e inscrições contacte o Sr. Raul Almeida através do email raulalmeida@matriz.org.pt

14/04/2009

Ainda sobre o reboco de terra...

Para complementar o post sobre o reboco de terra aqui ficam dois vídeos muito interessantes que demonstram o processo do fabrico do revestimento.



Blog - Construção de uma casa em cob

A navegação pelas várias páginas da web trazem quase sempre boas surpresas!
Descobri, graças a um blog que habitualmente sigo, um link para um outro que até entao desconhecia. Chama-se
The Year of Mud: Building a Cob House e retrata o percurso da construção de uma habitação feita em cob através do testemunho do seu futuro dono e construtor, um jovem de 24 anos de nome Brian.
Os posts sao fascinantes e quase sempre complementados com fotografias que nos levam a viajar até ao local da obra e acompanhar todo o processo como se fizessemos parte dele.
Transborda de paixão e entusiamo sendo por isso extremamente inspirador. Recomendo vivamente!

Deixo aqui umas fotografias do autor do blog para que fiquem curiosos! Não dispensa obviamente a visita!






As fotografias aqui apresentadas são todas da autoria de Brian Liloia, autor do blog The Year of Mud: Building a Cob House.

07/04/2009

Arte e rebocos de terra

Autor: Catherine Wanek


Acabamentos de textura ortogonal, rectilínea, regular e previsível. Esta é, na maior parte dos casos, a oferta disponível nas casas que adquirimos para habitar. Não que seja a nossa escolha, mas sim porque é o que a indústria está "formatada" para conceber.
O artigo publicado na Mother Earth News em Outubro/Novembro de 2007 lembra-nos a razão pela qual um acabamento chamado perfeito é por vezes apelidado de "dead" straight ou "dead" flat. Superfícies mortas (dead) não se movem! Falta-lhes dinâmica, variedade, variações de luz, sombra, cor, etc.
Poderia ainda juntar a esta lista a toxicidade existente em muitos dos materiais que nos rodeiam e que têm como consequência a absorção por parte do nosso organismo dos mesmos, mas essa seria matéria para um outro post.

É bom que se saiba que as alternativas existem e que não precisamos de viver segundo um conceito pré-estabelecido por uma indústria de construção que carece de vontade de mudar (ou será evoluir?).
O reboco de terra constitui uma boa forma de trazer um pouco de variedade e criatividade ao nosso quotidiano. Mais do que conectar cantos, a aplicação deste reboco oferece vida às paredes, conferindo-lhes assim um carácter escultórico e uma diversidade imensa de subtis cheios e vazios que se transformam em jogos de luz e sombra, elementos ausentes das superfícies lisas e aborrecidas que geralmente nos rodeiam.
A forma como apreendemos as três dimensões do nosso ambiente habitacional altera-se por completo quando contemplamos as arestas dos vãos de portas e janelas ligeiramente arredondadas ou, até indo mais longe, quando o acabamento da parede se torna numa pele única, formando um movimento fluído e suave que nos dá conta do limite que nos separa do exterior, enquanto se transforma também em mobiliário ou ornamentação. Tudo isto num só gesto.
Junta-se a estas vantagens a facilidade de todo o processo que começa na produção do reboco até à respectiva aplicação. Fácil de fazer e de fácil (e divertida) aplicação, sendo que muitas vezes a fronteira entre arquitectura e escultura se esbate enquanto “moldamos” o interior das nossas paredes.
Tenho visto muitos exemplos do que vos falo. Entre imagens e recordações do reboco de terra que apliquei em tempos, posso dizer que, embora tudo isto seja altamente subjectivo, o resultado é verdadeiramente fantástico.

Como podemos fazer então um reboco de terra?
As variações da “receita” são algumas, já que diferentes situações exigem diferentes soluções e a que reproduzo aqui é a seguida por Kiko Denzer, tal como revela no artigo Get Muddy! Make Earth Art no website Mother Earth News.

“1 parte de subsolo argiloso
3 a 4 partes de areia
Água q.b. (a mais pode causar fissuras)
1,5 parte de fibras finas (palha cortada, cabelo humano ou estrume seco de vaca ou cavalo)
Misturar todos os ingredientes numa máquina tipo betoneira ou mesmo de forma manual, usando uma pá ou outras ferramentas.
Lembrem-se que é mais fácil acrescentar do que retirar água!”
O autor diz-nos que a consistência do reboco que faz assemelha-se a manteiga de amendoim e que vai ajustando enquanto mistura os vários componentes.

Continuando, “quanto mais fino os materiais, mais fino vai ser o reboco. Os elementos de maior dimensão podem ser retirados com auxílio de uma rede (tipo mosquiteira)”
Depois é só aplicar nas paredes. Com a mão ou com qualquer outra ferramenta que sirva a função de espalhar o material!
Para alguma espessura e evitar fissuras é preferível aplicar em várias camadas, deixando que a anterior seque. Lembre-se de molhar ligeiramente e texturizar a superfície antes de aplicar outra camada.
Só para terminar, caso procure uma alternativa a uma superfície lisa (também possível de criar com rebocos de terra) aproveite a liberdade que este material oferece e crie diferentes formas texturas pela casa. Experimente usar diferentes meios para isso: garfos, colheres, pedaços de madeira, etc.
Divirta-se!

05/04/2009

WISE - Wales Institute for Sustainable Education

O WISE - Wales Institute for Sustainable Education, localizado no País de Gales oferece uma excelente oportunidade para quem deseja especializar-se na área da construção sustentável.
O Mestrado aqui leccionado goza já de uma reputação e reconhecimento inegualáveis a nível internacional, tudo graças à estratégia de combinação do ensino teórico com uma forte componente prática, ou como por aqui dizem, "hands-on". A consequência, segundo o instituto, é uma procura superior às vagas que o instituto pode efectivamente disponibilizar.

O novo edifício do Centro incorpora diversas técnicas e materiais escolhidos pelo reduzido impacto no ambiente. A terra, como não poderia deixar de ser, desempenha também o seu papel nesta estrutura, formando as paredes circulares de 7,2 metros do anfiteatro.

Quando em 2007 visitei o CAT - Centre for Alternative Technology, onde este edifício está implantado, a fase de construção era infelizmente bastante embrionária, no entanto, pela informação disponibilizada no website é possível ver que as paredes já se encontram erguidas.
Resta-me planear uma próxima visita ao País de Gales para dar uma espreitadela ao edifício depois de terminado.

Deixo um link para um vídeo com uma breve descrição do curso que referi anteriormente.

http://www2.cat.org.uk/wise/index.php?option=com_content&task=view&id=133&Itemid=109


E já agora, também umas fotos das paredes do anfiteatro.




03/04/2009

2007/ 2017 EARTHEN ARCHITECTURE, World Heritage Programme

fonte imagem: whc.unesco.org

O empenho de instituições internacionais como a Unesco na luta pela salvaguarda da herança física e intelectual da construção em terra tem ganho especial ênfase nos tempos que correm.
O programa 2007/2017 EARTHEN ARCHITECTURE da Unesco traça em linhas acutilantes o futuro desejado para a construção em terra, não só no que diz respeito ao edificado já existente, mas também ao que se espera vir a fazer parte do futuro ambiente construído do nosso planeta.
O programa acima referido é rigorosamente balizado entre 10 anos e conta com o apoio fundamental de uma equipa composta pelos maiores especialistas internacionais na matéria. Este possui como objectivos principais a melhoria do estado de conservação das estruturas de terra espalhada pelos mais diversos pontos do globo e uma difusão abundante e abrangente de boas práticas de construção, recorrendo para isso a cursos práticos junto das comunidades e publicação de manuais técnicos.

Segundo informação disponibilizada pela UNESCO, o 2007/2017 EARTHEN ARCHITECTURE, encontra-se estruturado em 4 fases. Sucintamente, passo a descrevê-las.


1ª Fase (2007-2008) Preparação
Primeiro passo de todo o processo, onde se abriram as portas para o mundo e se lançou o programa propriamente dito. Esta primeira etapa abrangeu tópicos como o levantamento de estruturas de terra inscritos na lista do Património Mundial, recolha de fundos e promoção do programa através de conferências internacionais, entre outros.

2ª Fase (2009-2010) Fase Piloto
Já recorrendo a uma componente mais prática, esta fase contempla a realização de reuniões e cursos/ workshops nas regiões de África e Estados Árabes.
A atenção que será dada à experiência de construção in situ é partilhada com a investigação e experiências laboratoriais focadas no desenvolvimento de técnicas de recuperação de estruturas em terra.
A produção de livros e guias técnicos decorrentes desta experiência garantirão a manutenção do conhecimento e a continuidade do trabalho iniciado.

3ª Fase (2011-2014) Fase de Consolidação
Esta fase contemplará as regiões da América Latina e Ásia. Mais uma vez, a ênfase recairá sobre a conjugação da componente prática e teórica da construção em terra. Identificação do património existente e educação para a futura construção fazem também parte dos objectivos a atingir nesta fase do programa.

4ª Fase (2015-2017) Fase Final
Cabe à Europa e Ásia o fecho. Para além dos pontos mencionados nas fases anteriores, espera-se que o conhecimento da conservação de arquitectura de terra seja inserido nos programas curriculares das universidades e instituições de ensino regionais.
Será então o momento de fazer o balanço final, aferindo os resultados do ambicioso programa iniciado em 2007.

Em 2017, esperemos encontrar um mundo onde as pessoas estarão plenamente conscientes da importância da construção em terra nas suas vidas e no contexto arquitectónico mundial!

Pode encontrar informação mais detalhada sobre o programa 2007/2017 EARTHEN ARCHITECTURE na página de internet da UNESCO.