31/03/2009

Workshop prático e teórico - Rammed Earth

Finalmente encontrei forma de me envolver na componente prática da construção em terra e "meter a mão na massa" aqui no Reino Unido! Inscrevi-me hoje para a frequência de um workshop a realizar-se em breve para os lados de Norfolk.
Pela informação disponível no site adivinha-se um fim-se-semana interessante. O programa do curso é bastante completo e os instrutores prometem abordar as áreas essenciais da técnica de construção da taipa.
Bom, resta-me então aguardar a chegada do mês de Maio (e já agora que seja rain-free!)
Se por acaso alguém estiver pelo Reino Unido nesta altura e quiser inscrever-se, aqui fica o website com a informação:


Não resisto em deixar algumas fotos referentes a workshops anteriores, também retiradas do mesmo site.




27/03/2009

Escultura em taipa - Oxford




Todas as fotografias foram retiradas do seguinte website: http://www.katybeinart.co.uk/page2.html
Trago-vos hoje um testemunho da possível utilização da técnica da taipa em situação de desenho de espaço exterior.
Esta escultura foi conceptualizada pela artista Katy Beinart e encomendada pelo Warneford Hospital. Foi concebida graças à ajuda de 25 pessoas que se disponibilizaram a participar num workshop que serviu de pretexto à sua construção.
Podem encontrar mais informação AQUI.
Para a semana vou lá dar uma espreitadela para ver de perto esta escultura. Trarei registos fotográficos!

24/03/2009

Visita Casa Fenu, Sardenha (Mediterra 2009, dia 16/03)




A última visita do dia 16 de Março último, reservado para o percurso pelas aldeias de terra do Campidano, coube à recentemente recuperada Casa Fenu, edifício que faz parte do património histórico e cultural da aldeia de Villamassargia.
Os cerca de 1600 metros quadrados de área ocupada com o edifício construído com terra crua remontam originalmente ao séc. XIX e foram agora devolvidos à comunidade, após um projecto de recuperação que teve como princípio motivador o respeito e conservação pelo património arquitectónico.

O cheiro da terra, a cor e textura tão característicos deste belo material ancestral, misturam-se aqui harmoniosamente com elementos de construção contemporânea, criando espaços extremamente agradáveis e dignos de exemplo. Confio que a comunidade esteja orgulhosa desta iniciativa.
A busca das raízes culturais e referências arquitectónicas, aliada a uma dimensão construtiva respeitadora e consciente da natureza e contexto envolvente, constituem uma forte motivação para o futuro do panorama arquitectónico contemporâneo na região da Sardenha.
Uma referência a seguir, sem qualquer dúvida.

21/03/2009

Eventos - 6.º atp | 9.º siacot

As imagens abaixo contêm informação referente ao 6.º Seminário Arquitectura de Terra em Portugal e 9.º Seminário Ibero-Americano de Construção com Terra a realizar de 20 a 23 de Fevereiro de 2010 na Universidade de Coimbra, Portugal.


folheto seminário(rosto)

folheto seminário(costas)

18/03/2009

Sobre a Mediterra

O tempo pareceu voar desde o dia em que aterrei em Cagliari. Estou de volta ao Reino Unido e com a mente a fervilhar de tanta informação para assimilar.

O balanço foi totalmente positivo, não só por se ter reunido uma equipa de pessoas fabulosas com uma dedicação imensa ao trabalho que se encontram a desenvolver, mas também por toda a equipa organizadora do evento, que não esqueceu o mais pequeno detalhe.

Ainda me encontro a digerir todo o precioso conteúdo da MEDITERRA, e julgo que depois deste sairão uns quantos posts inspirados pelo evento. No entanto, posso dizer que sou agora uma pessoa muito mais confiante na "causa da Terra". Esqueçamos o que se diz ingenuamente em relação à pobreza e escassez da construção em terra! O número de pessoas motivadas no sentido de reafirmar a terra como material de construção maior, aumenta de dia para dia assim como as iniciativas desenvolvidas sobre a temática.

De destacar foi a presença do grupo de peso (as referências na matéria) do evento, que partilharam com a maior das humildades o seu conhecimento, deixando transparecer a paixão que provavelmente os fez dar o primeiro passo há uns 20 anos atrás. Refiro-me concretamente a Hugo Houben, Henri Van Damme e Hubert Guillaud.

Também os portugueses provaram que avançam em grande força na utilização e divulgação da terra. Entre 35 nacionalidades, Portugal esteve representado com 20 elementos.

Sem querer retirar qualidade às restantes apresentações lusitanas, julgo que merecem especial menção a de Maria Fernandes que mostrou, na Aula Magna da Facoltá di Ingegneria, imagens de cursos práticos ligados à construção em terra realizados em Portugal e ainda a apresentação do arquitecto Gilberto Carlos que nos conduziu numa viagem fascinante através das fortalezas espalhadas pela fronteira norte de Portugal.

Foi também formalmente lançado o livro TERRA INCÓGNITA, um documento indispensável a quem se interessa por esta temática.
Até à próxima Mediterra!

10/03/2009

Mediterra2009 a dois dias!


O conhecimento relativo à arquitectura de terra tem explorado diferentes formas de expansão nos tempos que correm. Conferências, seminários e workshops dedicados a este tema multiplicam-se pelos mais variados pontos do globo e representam a prova, não só do crescente número de especialistas no assunto, mas também dos interessados em adquirir o saber partilhado nestes eventos.
David Easton lembra-nos no seu livro, The Rammed Earth House, que o fascínio pelo material terra e a busca pelo seu revivalismo, não constituem acontecimentos isolados, já que também por volta de 1840 e 1930 se observaram ondas de interesse na reaplicação das técnicas de construção com terra. A diferença reside agora nas condições e ferramentas disponíveis para a difusão do conhecimento. O regresso da terra (que na verdade nunca partiu) veio para ficar.
A dois dias de partir para Cagliari, constato que também eu farei parte desta massa de pessoas empenhadas em estender o seu conhecimento da “ciência” da construção em terra crua.
A Mediterra2009 apresenta-se aos participantes com um programa diverso, contemplando especialistas das mais distintas origens e nacionalidades, entre os quais, como não poderia deixar de ser, também se encontram nomes portugueses.
Viajo munida de cadernos e lápis em punho, preparada para registar notas, pensamentos e desenhos, convicta que voltarei ao Reino Unido com a certeza que o saber não ocupa lugar.
Aos colegas que vão estar por lá, aqui fica um até breve!

02/03/2009

Energia incorporada nos materiais de contrução

Enquanto arquitecta, e sobretudo enquanto ser consciente do impacto da mão humana no planeta, não posso deixar de acentuar a importância do conceito de energia incorporada aplicado por exemplo aos materiais de construção. A título de exemplo, saiba-se que no Reino Unido, 5% do total da energia consumida anualmente destina-se à produção de materiais de construção. A realidade portuguesa não deve andar muito longe.
A determinação da energia incorporada torna-se mais uma variável usada com o fim de definir a quantidade de emissões de CO2 decorrentes do processo de fabrico do material e, consequentemente, do edifício a construir. Embora existam várias teorias que eliminam diversas fases do processo, como por exemplo o transporte que quando contemplado nos cálculos é responsável por uma grande percentagem do total de energia incorporada, o princípio mantém-se e leva-nos a questionar o verdadeiro custo dos materiais de construção que especificamos para os nossos projectos.

Poderá argumentar-se que porque passámos a dominar a ciência da produção de energia, passámos também a possuir a escolha da criação de materiais que só existem graças a esta ciência. Produzimos energia, logo podemos usá-la a nosso bem entender! Acredito que esta frase tenha servido (e ainda no presente) como justificação para muitos dos erros cometidos que lançaram a indústria da construção para o topo da lista das mais energívoras do planeta.

Não posso deixar de imaginar esta atitude perante o uso da energia como uma espécie de ostentação de riqueza. "O tecto da minha sala veio da Escandinávia, a minha mesa é de madeira tropical oriunda do Brasil, as janelas viajaram desde a Alemanha..." e por aí adiante, são frases nada estranhas para quem lida com estas coisas da arquitectura (e não só). Quantas vezes paramos para pensar no que está verdadeiramente por trás disso? Qual é o verdadeiro custo desses belos tectos, mesas ou janelas? Extrapolando até para além dos custos a nível de consumo energético, parece-me também legítimo questionar o verdadeiro custo social destes "caprichos"?
Esta complexa rede de perguntas, com respostas pouco desejáveis, fragmenta-se quando trazemos à discussão a utilização de materiais naturais (sem no entanto esquecer o factor da localidade da sua extracção), entre os quais se encontra a terra.
A terra enquanto material de construção encerra em si uma história de uso que remonta a tempos em que não se sonhava sequer com a futura existência de qualquer coisa que se assemelhasse a energia eléctrica. Arrisco afirmar que os maiores gastos energéticos eram consumados graças à pura força de músculo humano.
Podemos (e devemos) com certeza adaptar-nos ao presente. É também aqui que este material tem imenso potencial para oferecer enquanto alternativa a materiais com elevada energia incorporada.
A utilização de matéria-prima extraída do próprio local de construção aliada ao uso escasso de maquinaria (julgo que este factor dependerá sobretudo da escala do projecto) e a busca da harmonia entre o edificado e a natureza, constituem uma boa receita para atingir o equilíbrio perfeito entre a sustentabilidade económica, social e ambiental.
Voltarei a este assunto em breve.